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Um amigo meu abriu
a gaveta da cômoda da sua esposa e pegou um pequeno pacote embrulhado
com papel de seda: Tirou o papel que
o envolvia e observou a bonita seda e a caixa. Aproximou-se da
cama e colocou a prenda junto com as outras roupas que ia levar para
a funerária. A esposa tinha acabado de morrer. Virando-se para
mim, disse: Ainda estou a pensar
que estas palavras já mudaram a minha vida. Agora estou a ler
mais e a limpar menos. Sento-me no terraço e admiro a vista sem
me preocupar com as pragas. Passo mais tempo com a minha família
e menos tempo no trabalho. Compreendi que a
vida deve ser uma fonte de experiências a desfrutar, não
para sobreviver. Já não guardo nada. Uso os copos de cristal
todos os dias. Se me der vontade ponho uma roupa nova para ir ao supermercado.
Já não
guardo meu melhor perfume para ocasiões especiais, uso-o quando
tenho vontade. Desgostoso, porque
deixaria de ver amigos com quem iria encontrar cartas... cartas que
pensava escrever "qualquer dia destes". Desgostoso e triste,
porque não disse a meus irmãos e aos meus filhos, com
suficiente frequência que os amo. Agora, trato de não atrasar,
adiar ou guardar nada que traria risos e alegria para nossas vidas.
E, a cada manhã,
digo a mim mesmo que este pode ser um dia especial. Autor desconhecido |